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Silveira Martins, sexta-feira, 29 de maio de 2026 Telefone (55) 99963-7268

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Nossa História

A nossa história nasce dos ciclos migratórios da Itália


Nossa história está profundamente ligada aos grandes ciclos migratórios italianos do século XIX. Após a unificação da Itália, em 1861, o país enfrentava severas dificuldades econômicas, concentração de terras, crises agrícolas e escassez de oportunidades para as famílias camponesas.


Diante desse cenário, milhares de italianos, especialmente das regiões do Vêneto, Lombardia, Friuli, Emiglia-Romana e Trento decidiram deixar sua terra natal em busca de dignidade, trabalho e futuro.


Foto: Lançamento da Pedra Fundamental do Monumento a Giuseppe Garibaldi (Praça Central)



Ano de 1874 - Primeiros Imigrantes chegam ao Brasil


1874 marca o início de um dos primeiros destinos organizados da imigração italiana no Brasil: o Espírito Santo. A partir desse ano, o estado passou a receber levas significativas de famílias italianas destinadas à formação de colônias agrícolas. Ali consolidou-se um modelo baseado na pequena propriedade rural e no trabalho familiar, característica que se tornaria uma das marcas mais fortes da presença italiana em território brasileiro.


Ano de 1875 - Primeiros Imigrantes chegam ao RS


1875 assinala a chegada do fluxo migratório italiano ao Rio Grande do Sul, especialmente à região da Serra Gaúcha. Nesse contexto, surgiram colônias que mais tarde dariam origem a importantes municípios, como Caxias do Sul, Bento Gonçalves e Garibaldi. Foi nesse movimento de expansão da colonização italiana pelo território gaúcho que se abriu caminho para a criação de um novo núcleo na região central do Estado: a Quarta Colônia.


Ano de 1877 - A criação da Quarta Colônia


Em 1877, o então presidente da Província de São Pedro do Rio Grande do Sul, Gaspar Silveira Martins, idealizou a instalação de um novo núcleo de imigração italiana nas proximidades de Santa Maria. A iniciativa tinha como objetivo ampliar o processo de ocupação territorial, fortalecer a produção agrícola e consolidar o modelo de pequenas propriedades rurais.




O início de uma nova história: 19 de maio de 1877:


Contexto anterior


Antes da chegada dos italianos, a região já havia recebido imigrantes europeus. Na margem direita do Rio Jacuí foi criada, em 1857, a Colônia Santo Ângelo (atual Agudo), destinada a bávaros, pomeranos e boêmios. Também havia forte presença alemã em Santa Maria desde a primeira metade do século XIX.


A nova colônia, criada em 1875, foi inicialmente planejada para receber eslavos e polacos (russos-alemães do leste europeu). Como não se adaptaram, esses grupos foram posteriormente remanejados para o Noroeste do Estado, especialmente para Santo Ângelo e Santa Rosa.


Maio de 1877: marco definitivo


Em 15 de novembro de 1876 já haviam chegado 70 famílias italianas lideradas por Lorenzo Anversa e João Frota, seguidas por outros grupos ainda naquele ano e em 1878, oriundos da Lombardia e do Tirol(RIGHI, BISOGNIN, TORRI, Povoadores da Quarta Colônia, 2001).Contudo, o dia 19 de maio de 1877 marca oficialmente a chegada dos primeiros imigrantes italianos ao Val de Buia e simboliza a ocupação definitiva do território, pois nesse período ocorreu a saída total dos eslavos da área.

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Assim, maio de 1877 é compreendido como o início efetivo da Quarta Colônia, consolidando a presença italiana e dando origem a uma identidade histórica e cultural que permanece viva na região.



O Barracão de Val de Buia e os primeiros desafios


Os recém-chegados foram alojados em um grande abrigo coletivo improvisado, conhecido como Barracão de Val de Buia e em seu entorno barracas improvisadas eram montadas e, cobertas por panos claros, o local recebeu dos imigrantes o apelido de Città Bianca, a “Cidade Branca”. Ali, dezenas de famílias dividiram o mesmo espaço enquanto aguardavam a demarcação e a entrega definitiva de seus lotes.


As condições eram extremamente difíceis. O espaço era limitado, a higiene precária e os recursos escassos. Doenças e perdas marcaram os primeiros anos da colonização. Ainda assim, a fé, o espírito de solidariedade e a convicção de que aquele era o início de uma nova vida sustentaram a comunidade. O barracão, embora símbolo de sofrimento, também representa o nascimento da identidade coletiva que moldaria a Quarta Colônia.


Foto: Construção da Torre da Igreja Matriz Santo Antônio de Pádua


A distribuição das terras e a formação da comunidade


Com a organização oficial da colônia, o território foi dividido em lotes rurais de aproximadamente 22 hectares cada, entregues às famílias imigrantes para que pudessem cultivar a terra e estabelecer suas moradias. Iniciava-se então uma fase de intenso trabalho: a derrubada da mata, a construção das primeiras casas, o plantio de milho, feijão e trigo e a criação de pequenos animais.


A vida comunitária estruturou-se em torno da fé católica e das capelas, que rapidamente se tornaram centros de convivência, organização social e fortalecimento cultural. Em 1878, a colônia passou a chamar-se oficialmente Colônia Silveira Martins, consolidando sua identidade e homenageando Gaspar Silveira Martins, figura central na criação do núcleo.




Crescimento e consolidação da Quarta Colônia


Ao longo das décadas, a Quarta Colônia expandiu-se e deu origem a novos núcleos populacionais na região central do Rio Grande do Sul. Silveira Martins consolidou-se como o berço desse processo histórico, preservando tradições, valores e costumes herdados dos pioneiros italianos. A agricultura familiar tornou-se a base da economia local, enquanto a cultura, a religiosidade e o senso de comunidade moldaram a identidade do município.


A herança italiana permanece viva na arquitetura, na gastronomia, nas celebrações religiosas e na forma de organização social, refletindo o espírito de trabalho e pertencimento que marcou os primeiros colonizadores.


Foto: Imagem área do centro urbano de Silveira Martins na década de 50


O movimento de emancipação e a autonomia municipal


Durante grande parte de sua trajetória, Silveira Martins permaneceu como distrito de Santa Maria. No entanto, ao longo do século XX, cresceu entre seus moradores o desejo de autonomia político-administrativa. Em 1965, uma primeira lei estadual chegou a criar oficialmente o município, mas a medida foi posteriormente anulada após contestação judicial.


O ideal emancipacionista, entretanto, permaneceu vivo na comunidade. Após anos de mobilização e articulação política, a conquista definitiva veio em 11 de dezembro de 1987, quando a Lei Estadual nº 8.481 oficializou a emancipação de Silveira Martins.




Uma história construída com coragem e esperança


A emancipação representou a consolidação de um percurso iniciado 110 anos antes, com a chegada das primeiras famílias ao Val de Buia. A trajetória de Silveira Martins é marcada pela coragem daqueles que atravessaram o oceano movidos pela esperança e transformaram um território de mata fechada em uma comunidade próspera e culturalmente rica.


Mais do que um capítulo da imigração italiana no Brasil, Silveira Martins simboliza a força da pequena propriedade, da fé e do trabalho coletivo. É uma história que continua sendo escrita pelas gerações que preservam e honram o legado daqueles pioneiros que aqui chegaram em 19 de maio de 1877.


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